Lemos: Oleg

Review of: Oleg

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4
On 25 de fevereiro de 2022
Last modified:25 de fevereiro de 2022

Summary:

O processo de envelhecimento é algo curioso. Por vezes, é difícil compreender certas mudanças. O mundo nos fica distante, por mais que nos esforcemos em o acompanhar. A fluidez da contemporaneidade nos faz andar por caminhos estranhos. Enfim... Tratando dessa e de outras questões, Frederik Peeters nos entrega Oleg, um quadrinho autoficcional que li e cá estou para falar as minhas impressões. Bora?

O processo de envelhecimento é algo curioso. Por vezes, é difícil compreender certas mudanças. O mundo nos fica distante, por mais que nos esforcemos em o acompanhar. A fluidez da contemporaneidade nos faz andar por caminhos estranhos. Enfim… Tratando dessa e de outras questões, Frederik Peeters nos entrega Oleg, um quadrinho autoficcional que li e cá estou para falar as minhas impressões. Bora?

Mas antes de buscar inspiração, sinopse:

Oleg é quadrinista. Há mais de vinte anos, sua vida gira em torno do desenho e da criação de histórias. E tudo isso vinha fluindo naturalmente, até os últimos dias, quando a criatividade parece patinar. Os projetos se sucedem, mas a convicção não está mais presente – como se, em algum lugar, a inspiração tivesse se perdido. Oleg então escava, procura e reflete. Ao seu redor, há o grande e vasto mundo – veloz, mutável, moderno, desestabilizante, inexorável. Um eremita assumido, mas também um atento observador, Oleg é a testemunha involuntária deste mundo em constante mudança, que traz sua parcela de eventos e surpresas, tanto boas quanto ruins. E acima de tudo, há seu próprio e pequeno mundo: a esposa, com quem compartilha a existência há duas décadas, e sua filha, agora em plena adolescência.

Antes de tudo, cabe destacar que Oleg é sobre um cotidiano. Para mim, essa característica deixou a leitura muito gostosa de se fazer. A partir da problemática da falta de criatividade do protagonista, somos apresentados a sua visão de mundo e a sua relação familiar. Tudo isso fazendo um dualismo entre a vida do quadrinista e as suas criações. Particularmente, achei que essa soma deu um resultado final fantástico.

Outro ponto que achei muito interessante são reflexões de Oleg. A relação dele com o mundo suscita em inúmeras críticas ao modo de vida do século XXI. Consumismo, redes sociais e superficialidade são alguns dos temas que permeiam as páginas. Senti muita identificação com a desconexão do protagonista com inúmeros comportamentos cotidianos. Foi como se Frederik estivesse me falando que eu não sou o único “chato” do mundo.

Por fim, é importante frisar que estamos falando, também, sobre uma história de amor. Peeters traça uma narrativa sublime sobre como o mundo pode estar desmoronando, mas você conseguir manter-se de pé, se tiver amor em seu lar. A forma com é retratada a relação familiar dos personagens é realmente muito bonita. Cada um passando por adversidades, mas sendo apoiados incondicionalmente. A obra é, sem dúvidas, uma declaração de amor.

A princípio, podemos nos enganar com os traços de Oleg. Pode soar simples demais. Contudo, pouco a pouco percebemos que estamos diante de uma grande história. Frederik Peeters foi muito corajoso em compartilhar suas angústias e felicidades com seus leitores. Por isso, considero a leitura extremamente válida para quem já passou dos 30. Talvez as suas crises também estejam ali.

Nota 4