— Deus é bom!
— O tempo todo!
Greenleaf é uma série da qual eu nunca tinha ouvido falar. Mas, como tenho estado mais antenada aos lançamentos da Netflix, vi que recentemente saiu a quinta temporada da série e acabei me interessando. E com isso, também percebi que as pessoas nas redes têm costumado a relacionar alguns pontos da série com alguns recentes escândalos com famosos membros de igrejas. Primeira temporada finalizada e aqui estou para falar dessa família que faz coisas que até Deus duvida (rs perdão). Me segue!
Antes disso, a palavra de sempre, que é a sinopse:
A família Greenleaf administra uma megaigreja em Memphis, mas seu trabalho e suas vidas pessoais são contaminados pela ganância, adultério e outros pecados.
Vou confessar que a série começa um pouco devagar, meio sem sal, mas logo pega o tranco. E conquista! Mostrando a realidade dos bastidores das igrejas, a série tem como foco a rotina da família Greenleaf, poderosa por coordenar a Calvary (Calvário), templo religioso que garante o sustento da família. O roteiro é bem construído, apesar de eu ter achado algumas relações meio soltas e sem consistência, como o que ocorre com o talvez triângulo amoroso Isabel (Anna Diop), Noah (Benjamin Patterson) e Grace (Merle Dandridge). Achei essa relação forçada, sem química e, realmente, não me desceu.
Por falar em personagens, essa série tem muitos, mas com o tempo dá para ir se aconstumando. Basicamente, a família Greenleaf é composta pelo Bispo James Greenleaf (Keith David), sua esposa Lady Mae (Lynn Whitfield), e seus quatro filhos: Faith (Terry Abney), que já é falecida; Grace (Merle Dandridge), Charity (Deborah Joy Winans) e Jacob (Lamman Rucker). Sem mencionar os seus agregados. Mas achei necessário incluir uma personagem que já inicia a série falecida, porque ela está no centro da grande problemática da série, na minha opinião.
Grace (Merle Dandridge) retornou à casa da qual havia saído há vinte anos, com sua filha, Sophia (Desiree Ross), para o funeral de sua irmã Faith, que cometeu suicídio, ao que tudo indica. Mas acaba resolvendo ficar mais um tempo, justamente para expôr à família provas de que ela e Faith não mentiram, quanto a um assunto bem forte que mexeu com as estruturas da “santa” e próspera família. Com sua estadia, Grace abalou novamente as estruturas de muitos membros da igreja, seja da família ou não.
Greenleaf torna-se uma série interessantíssima por levantar questões sérias que ocorrem dentro das igrejas, porém são postas para debaixo do tapete. Corrupção, adultério e repressão à homossexualidade são um dos assuntos abordados, exatamente, creio eu, como acontece na vida real. E, quando o espectador conhece o personagem ou vai conhecendo ao longo da série, percebe aquela duplicidade de personalidade: dentro da igreja, todos são santos, dedos são apontados para o pecado alheio, mas que acusa, geralmente, é a pessoa mais cruel em outro contexto. Vale ressaltar que é normal agirmos de formas distintas, dado o contexto em que se está inserido. Mas, no caso das igrejas, onde há disputas de ego disfarçadas e que todos querem transparecer a perfeição e “corrigir” o próximo, chega a dar uma ligeira raiva… rs E, no final das conversas, sempre tem aquele diálogo que coloquei no início do texto, que sempre me soa falso. Sem falar nas omissões, quanto à assédio sexual, algo que foi difícil de assistir.
Nem sei como terminei de assistir a primeira temporada de Greenleaf. Não digo isso pela série ser ruim, muito pelo contrário. É que os escândalos são tão fortes e as atitudes dos personagens são, por vezes, tão surpreendentes, que dá uma certa raiva rs. Mas depois que tudo começou a fluir, acabei me interessando pelo destino dos personagens. O fato de ter casos sérios como assédio sexual contra menores de idade (lê-se pedofilia) e a repressão homossexual foram pontos chave para que me interessasse pela série, pois queria saber como seria a abordagem e ela conseguiu me surpreender.Pretendo seguir assistindo a série, que tem mais quatro temporadas, e recomendo a todos, sendo cristãos ou não, porque são reflexões válidas e bem atuais.

“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…