Assistimos: Irmãos Freitas

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4
On 2 de dezembro de 2019
Last modified:2 de dezembro de 2019

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Com direito a dois rounds (leia-se dois episódios), ontem tivemos o encerramento da série inspirada na vida de Acelino Popó Freitas. No mês passado estive aqui e deixei elogios à produção, mas agora que acabou, será que os mantive? Será que algo me desagradou? Sem mais enrolações, hora do meu veredito dispensável!

Antes do nocaute, vamos relembrar a sinopse:

Nos anos 90, o Brasil tem Luís Cláudio Freitas como a grande promessa do boxe nacional. Já seu irmão caçula, Acelino Popó, ainda é muito jovem na carreira. Depois de vencer uma luta nos EUA, o talento de Popó o faz ganhar notoriedade rapidamente enquanto Luís é traído pela idade avançada e suas limitações. Entre cinturões e nocautes, Luís e Popó decidirão até onde resiste o amor entre irmãos.

Conforme citei nas minhas primeiras impressões, a primeira cena é a preparação para a luta do mundial. Ou seja, não há surpresas sobre a história profissional do pugilista. Como disse anteriormente (e a sinopse também), a série trata de um drama familiar. As questões de Luís perpassam toda a trama e influenciam diretamente todos ao seu redor. Tais problemáticas rendem diálogos potentes como um cruzado e uma carga sentimental forte. Com isso a narrativa faz um contraste entre o drama de Luís e a imaturidade de Popó. O resultado é que no decorrer da trama há uma evolução fantástica de ambas as personagens.

Contudo, não é só os protagonistas que brilham nesse ponto. Vale a pena ressaltar como a estória de Deco se mostra um acréscimo interessante. Longe de ser uma promessa do boxe, o coadjuvante ilustra em sua jornada que nem todos conseguem vencer as adversidades da vida. Essa abordagem social da trama não se faz presente só com Deco, mas sem dúvidas, foi a que mais me chamou a atenção.

Outro ponto interessante é que eu não senti uma glamourização do esporte. Geralmente em produções do gênero há cenas motivacionais, cenários belos, etc… Em Irmãos Freitas, além dos diálogos pesados sobre como aquele esporte era a única alternativa para alguns, os cenários são escuros e não há a romantização (pelo menos não muita) de ir até as últimas consequências em uma luta, muito pelo contrário.

Por fim, não senti que Irmãos Freitas teve o objetivo de vender uma estória motivadora (como geralmente as produções biográficas tentam), mas sim de mostrar um pouco do que muitos brasileiros vivem diariamente. As lutas, sonhos, lágrimas e sorrisos presentes em nosso cotidiano. Se houve uma escolha “poética intencional” para falar de todas as lutas presentes na trama, eu não sei, mas sei que o resultado final é belo e potente. Recomendo.