Não conhecia o Senhor Milagre. Sequer li algo dos Novos Deuses ou sobre o Quarto Mundo. Mas, devido ao hype real da HQ de Tom King, Senhor Milagre, não pude ignorá-la e, assim como foi com a HQ do Visão, algo o hype me dizia para ler. Agora estou aqui para contar a você como foi conhecer o Senhor Milagre, se eu consegui conhecê-lo, através dessa história e como foi essa viagem escrita por Tom King e desenhada por Mitch Gerads.
Antes disso, Caixa Materna, a sinopse da HQ Senhor Milagre, de Tom King e Mitch Gerads:
Scott Free é o maior artista de fugas de diversos mundos. Mas, gozando de fama e boa vida na Terra, o herói também conhecido como Senhor Milagre pode finalmente ter encontrado uma armadilha tão complexa que nem mesmo ele pode escapar! Acompanhe a elogiada minissérie responsável por introduzir e conduzir o personagem no universo pós-Renascimento.
Você deve estar se perguntando: o que seria uma “caixa materna”? Bem, vou tentar te explicar com o que eu entendi… É uma espécie de dispositivo, tipo um rádio ou celular e cheio de botões reluzentes, que os esses heróis utilizam para teletransporte e como objeto de pesquisa tipo o Google. Só não me lembro de vê-los utilizando-se para conversar.
Bem, mesmo não conhecendo esse universo da DC, não senti tanta dificuldade para ler e compreender Senhor Milagre Vol. 1 e 2. Tom King me apresentou facilmente o personagem, ao utilizar recursos diferentes para a familiarização com o mesmo e, um exemplo disso, foi a participação de Scott Free num talkshow. Ou seja, nem precisei de uma leitura prévia pra isso. Tudo bem que tinham coisas ou personagens dos quais eu não compreendi muito bem a finalidade, mas nada que tenha atrapalhado minha experiência.
Pelo que entendi desse personagem criado por Jack Kirby, Scott Free é filho biológico do Pai Celestial, líder de Nova Gênese. Já Órion é filho de Darkside. Houve uma troca de filhos, uma espécie de acordo, durante uma guerra entre Apokolips e Nova Gênese. Tal troca foi a trégua. Scott Free foi criado pela Vovó Bondade–esse nome… Ela não tinha nada de boa, diante dos comentários da Grande Barda e do próprio Scott (que não se sabe o nome verdadeiro, mas acredito que esse “Free”, seja porque ele sempre tentou se libertar, fugir da Vovó por uma escada, mas nunca conseguia). Quando finalmente conseguiu fugir pra Terra, encontrou um artista, que se conhecido como Senhor Milagre, especialista em espetáculos escape e, quando esse artista morre, Scott assume o manto e nome de Senhor Milagre.
Gente, o quadrinho é muito bom! Começa muito tenso já, por mostrar cenas da tentativa de suicídio de Scott. Sim, o personagem principal tenta se matar já na primeira página. Isso porque, ao que parece, Scott é depressivo. Nessa questão há uma dualidade, quanto às ações de Scott, pois a todo momento, em suas apresentações, ele tenta escapar da morte, mas naquele momento da tentativa de suicídio, ele a desejou.
Em Senhor Milagre Vol. 1 e 2, Tom King nos mostrou muito bem o lado humano e complexo desses personagens. Scott Free é um herói bem humano, no sentido dele ter todos os seus dramas e medos expostos nesse quadrinho. Acredito que a forma bem explícita como King nos apresentou esses personagens, a humanização do herói, como Órion, um cara bem babaca (resumindo para quem não o conhecia, como eu), foi o que mais me fixou na leitura nessa HQ, uma vez que o pouco que eu conhecia desses personagens (acho que os vi em algum desenho da DC) não seria o suficiente para tal.
Só fiquei com algumas dúvidas, quanto ao poder do Senhor Milagre: se ele é realmente um herói com poderes de escapismo; se ele aprendeu isso com o Senhor Milagre antigo ou ainda, se todo aquele espetáculo de escape é efeito da Caixa Materna, aquele aparelho que ele e a Barda usam para se teletransportar entre os mundos.
Por falar na Grande Barda, gostei muito da relação dos dois. King nos mostra uma relação de um casal comum, apesar deles serem heróis. Durante os papos do casal, King pôs discussões de teor filosófico, com referência à obras, assim como em Visão.
King faz umas “referências” nessa HQ, dando uma espécie de cutucadas na ferida de não sei mais quem, porque os dois, infelizmente, morreram naquela relação difícil entre Stan Lee e Jack Kirby. Há um personagem na história com o nome de batismo de Kirby, Jacob, e um chamado Funky, que tá na cara que foi “inspirado” no Stan Lee e eles têm uma relação (não posso falar muito, senão é spoiler). A fisionomia do Funky, o jeito dele, todo expressivo, risonho o fato de Scott não ter tanta confiança em deixá-lo sozinho fazendo as coisas e, o principal, Funky fala um “Excelsior” no quadrinho… Portanto, eu não tenho dúvidas!
A arte de Mitch Gerads em Senhor Milagre Vol. 1 e 2 é linda! Pra começar, tem o diferencial da divisão de páginas do mesmo, com 9 quadros em cada folha, recurso que achei sensacional. As mudanças na vida de Scott, aumentam de alguma forma essa depressão e isso e visto nos recursos dos quadros sequenciais, com uma certa interferência (acredito que seja a dualidade da realidade na cabeça de Scott), juntamente com quadros pretos escrito “Darkside é.” Sem contar a naturalidade no corpo da Grande Barda, diante de um acontecimento na história.
Ambientação perturbadora, com pessoas sustentando uma mesa, como sendo os pés da mesa; uma cabeça ensanguentada decorando o corredor; Vovó Bondade servindo gelatina para Barda e Milagre, enquanto um prisioneiro da Vovó, que não come há dias, está à mesa justo com eles, como forma de tortura. Tudo isso foram coisas que foram compondo a obra, juntamente com o roteiro, com uma maestria gigante.
Senhor Milagre Vol. 1 e 2 é mais um acerto de Tom King que, junto do Mitch Gerads, lhe rendeu prêmios Eisner, o maior prêmio à quadrinistas. Você ficará impacto com a composição de roteiro e imagens que essa dupla “KinGerads” nos proporcionou. Sim, eu já “shippo” uma nova parceria!

“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…