Lemos: Sangue no Olho

Review of:

Reviewed by:
Rating:
5
On 27 de dezembro de 2019
Last modified:27 de dezembro de 2019

Summary:

No mês passado, a Editora Draco lançou na CCXP a antologia de faroeste contemporâneo Sangue no Olho. Eu que me considero um grande fã do gênero western, não podia deixar de conferir essa proposta tão interessante. No sábado do evento, estive com o Raphael Fernandes e comprei o meu exemplar. Agora que ele foi devidamente lido, venho dar as minhas impressões.

Mas antes, desce uma dose de sinopse:

Desbravando histórias de vingança, sobrevivência e resistência, Sangue No Olho é uma carta de amor bruto aos faroestes trilhando do sertão à floresta, do norte ao sul. Entre neste boteco, peça a sua bebida e fique de bem olhos abertos. Porque as histórias de bangue-bangue da vida real não têm nada do heroísmo dos filmes de antigamente.

Quando se fala em faroeste, muitos podem pensar no homem branco em seu cavalo vindo salvar o dia, não é mesmo? Se você busca isso, esqueça, porque Sangue no Olho oferece um outro tipo de western, algo na pegada de Django Livre e Bacurau. Ou seja, apesar de se inspirar no gênero desenvolvido em terras norte-americanas, a produção não se limita aos clichês de sua origem. Portanto, não estranhe se ver as figuras marginalizadas de outrora tomando o protagonismo das histórias.

Eu poderia falar de história por história, como já fiz com outras antologias que resenhei, mas dessa vez optei por falar de um aspecto presente em todas: a violência. Porém, essa violência retratada não é posta de forma gratuita, mas sim como uma resposta às violências estruturais da sociedade. Como a própria sinopse diz, tem vingança, sobrevivência e resistência. Em tempos como o nosso, narrativas assim podem incomodar algumas pessoas, contudo não enxerguei a obra como uma justificativa de atos extremos. Vejo-a como uma representação certeira do Brasil dos esquecidos.

Considero que essa representação veio em boa hora, pois acredito que a mesma é capaz de levar o leitor a pensar sobre o país. Não só sobre o Brasil contemporâneo, mas também acerca das heranças do nosso passado. E mais, como esse sentimento de injustiça e descaso pode causar o dito sangue no olho. Não sei se você vai sentir isso ao ler o quadrinho, mas te falo com sinceridade: aqui a mensagem bateu pesada.

Forte tanto na estética, quanto na mensagem, Sangue no Olho traz histórias tão brasileiras que vai parecer que você já tenha as ouvido antes (eu senti isso em várias). Além disso, suas narrativas cinematográficas e seus rostos familiares são uma grande homenagem ao gênero western. Se você curte essa pegada, te recomendo demais, caro leitor!

* Você pode adquirir a sua cópia aqui