Lemos: Rasputin





Uma das animações que eu mais curtia, quando criança (na verdade, até hoje), é Anastacia, da DreamWorks (não é Disney, ok). O interesse foi aumentando, depois das aulas de história no Ensino Fundamental, quando descobri que a história era “real”. Sim, entre aspas, porque sabemos que os quase todos os personagens existiram (a família imperial russa Romanov e Rasputin) e a história não foi daquele jeito. Mesmo assim, é um filme muito bem feito, lindo e adorável.


Deixando a animação de lado, hoje falarei um pouco (porque se falar demais, já sabe né) sobre um quadrinho que descobri recentemente e que me atraiu justamente pelo título (e pelas capas lindas também): Rasputin.

Basicamente, a história se passa numa noite em que Rasputin seria envenenado pelos seus “amigos”. A partir daquele momento, muitas lembranças e reflexões vêm à sua mente e que vão sendo desmembradas ao longo dos quadrinhos. É uma história repaginada, onde o “monge louco” (que aqui, pelo que eu entendi, não é monge…) tem que lidar com seus poderes místicos de cura, transformando a vida e o cotidiano das pessoas e locais por onde passa.

Ao todo, são dez números do quadrinho escrito por Alex Grecian. O roteiro é tomado de momentos reflexivos, conturbados e agressivos. Na verdade, as imagens também falam por si, já que há muitas páginas onde não há necessidade de diálogo, pois a expressão ou ação dos personagens, já desperta no leitor o sentimento contido na cena.

Com traços finos e um sombreado bem acentuado, o desenho de Riley Rossmo parece que foi deixado apenas no esboço, propositalmente, visto que fez um casamento perfeito com os períodos retratados no quadro. O colorista Ivan Plascencia também unificou tempo e ambiente, pois pude perceber que, pela passagem de tempo e dependendo do local onde Rasputin estava, as cores variavam entre tons mais fortes e mais fechados, quase pálidos. Porém o vermelho sempre esteve vivo em todas as cenas, independente do ambiente.

Falando em passagem de tempo, Rasputin é um quadrinho que exige muita atenção do leitor, devido ao “efeito ioiô” no tempo. A tensão contida na trama, já prende o leitor, não permitindo que o mesmo se perca na história, como acontece em alguns quadrinhos, em que eu tenho que voltar numa página para relembrar como aquela situação chegou a tal ponto. Bem, pelo menos comigo, isso não aconteceu. Um ponto bem interessante da passagem de tempo, que torna-se perceptível em cada capa, é o crescimento da barba de Rasputin. Por isso, deixei a primeira e a última capa no centro da montagem propositalmente.

Rasputin, de Alex Grecian, é um quadrinho prazeroso de ler, mesmo com as imagens violentas que tem. Se você quer uma leitura rápida e atraente pela tensão ao destino de um personagem, essa é uma HQ ótima. Com um diálogo reduzido e simples, deixando que as imagens também passassem uma mensagem ao leitor, ajuda bastante na fluidez da história. Amei a leitura e recomendo!