Nunca tinha ouvido falar no personagem O Capuz [The Hood]. Recebi de presente uma HQ deste personagem da Marvel recentemente e, ao olhar a contracapa, eu leio o seguinte: “Com grandes poderes… Vêm grandes oportunidades.”. Eu JAMAIS deixaria pra ler mais tarde, um quadrinho que já tivesse essa baita referência ao Homem-Aranha, cujo personagem principal se chama Parker. Quadrinho devidamente e rapidamente lido, aqui estou para falar de O Capuz – O Sangue Que Vem das Pedras.
Antes disso, se liga na sinopse aqui, rapidinho:
A vida de Parker Robbins vai de mal a pior! Ele não tem emprego fixo e vive de pequenos furtos organizados por seu primo que só lhe arranja trabalhos furados. Sua namorada está grávida e sua amante o faz gastar cada vez mais dinheiro! E, para completar, sua mãe está internada num manicômio sem muita assistência. Mas, ao se deparar com um misterioso artefato místico que lhe confere estranhos poderes, Parker decide se aventurar num terreno muito mais perigoso: o do supercrime! Do aclamado roteirista Brian K. Vaughan (Jovens Vingadores; Os Leões de Bagdá) e Kyle Hotz (Zumbi).
Brian K. Vaughan. Quando eu leio que ele é o roteirista, é difícil se imaginar não gostar da leitura, uma vez que ele é o autor de Saga, uma história em quadrinhos brilhante que, inclusive, tenho que voltar a ler. Eu gostei muito de O Capuz – O Sangue Que Vem das Pedras por ser uma leitura fácil, com um teor mais adulto, mais forte e com um certo humor, na medida, sem exageros. Como se trata de uma história fechada, num volume único, com seis edições, isso também ajudou para que eu, a Rainha das Boas HQs Abandonadas, pudesse ler a história de uma vez só. Basicamente, é um cara que “encontra” um manto que o faz ficar invisível, apenas prendendo sua respiração, e uma bota que o permite voar (não, ela não tem asinhas na parte de trás rs). Mas não é só isso e eu não vou te dar spoilers.
Como disse, O Capuz – O Sangue Que Vem das Pedras é uma HQ com uma linguagem e, consequentemente, com cenas mais adultas, por mais que essas últimas não sejam explícitas. A trama contém palavrões e outras expressões chulas do cotidiano, principalmente masculino, que também acabam gerando diálogos machistas, sexistas e racistas. Este último, você irá encontrar num diálogo em que um dos personagens conta uma “piada” de teor racista, como passatempo.
O subtítulo me chamou a atenção por me fazer lembrar o título de um famoso filme, o Diamante de Sangue, já que fala de sangue e pedra. Não vou me aprofundar nesse assunto, mas posso dizer que eu sou boa de referência.
E, por falar nisso, O Capuz – O Sangue Que Vem das Pedras está repleto de outras referências. Falei do subtítulo, mas o personagem principal tem suas : Parker Robbins é um Peter PARKER, misturado a um ROBIN HOOD (hood é capuz em inglês) às avessas, que tem como melhor seu parceiro, o John, um cara baixinho que é primo de Parker e eu não preciso dizer mais nada, né?! Outra coisa também são as citações a heróis da Marvel, como ao próprio Homem-Aranha, a vilões, como o Palpatine, de Star Wars e a músicos, como Ozzy Osbourne. Todas as citações são sempre muito pertinentes e, por vezes, divertidas, pois o autor ainda brinca com aquela coisa de quando as pessoas não entendem as referências que utilizamos num diálogo e é f%#@ isso rs.
Parker Robbins não é um personagem tão “cativante” ao meu ver e isso me fez ficar meio indecisa quanto a ter gostado, realmente, do quadrinho ou não. Só que, após um tempo de reflexão, sobre o personagem, me veio a conclusão de que, por mais que eu não tenha me sentido “cativada” pelo personagem, não isso que irá definir se gostei do quadrinho ou não. Sem contar que seria difícil que o mesmo me parecesse cativante: ele é um ladrão, que rouba ladrão, tipo o Robin Hood, mas que é para benefício próprio e aí já não tem cem anos de perdão, fere seriamente pessoas inocentes, trai a esposa grávida, não assume a responsabilidades de seus atos… Mas aí tem a questão dele querer tirar a mãe do hospício onde está internada e aí é que não dá para odiá-lo cem por cento, sabe, tipo a fase do Coron– Coringa.
A arte de Kyle Hotz me fez ficar com dúvida, se gostei ou não: há um excesso de sombreado quem em incomodou um pouco… Tem muita imagem pintada de preto, quase que por completo. E não, não estou dizendo que o desenho é feio (quem sou eu pra dizer isso). Mas esse excesso me pareceu um desenho preguiçoso… Só que fui olhar as redes do Hotz em busca de desenhos e comprovei que em nada se assemelha, pois os desenhos são lindíssimos e o cara é bem detalhista. Até porque, gostei muito da estética do Parker, por exemplo, que tem um manto todo manto em trapos e uma bota bem “trevosa”. Então, só o excesso de sombras nesta HQ, em específico, é que não me agradou muito.
Se você for maior de dezesseis anos e quer ler uma história que não seja a origem de super-heróis, mas sim a de um vilão, O Capuz – O Sangue Que Vem das Pedras é uma ótima dica! E tem um final surpreendente e diferente. É um vilão recente, na minha opinião, pois essa HQ é de 2002 e foi uma leitura agradável, com um roteiro que atrai o leitor, sem contar que foi uma novidade, por eu nunca tinha ouvido falar do personagem. Acho, inclusive, que daria um bom filme, apesar de já ter muito encapuzado no cinema…

“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…