
Nunca tinha lido um quadrinho do Justiceiro, mas sempre soube que ele não iria me decepcionar no primeiro. Em minhas leituras, só tive um “contato” com o Justiceiro em Guerra Civil, com aquela cena inesquecível dele segurando o Homem-Aranha nos braços e com uma atitude épica com o Capitão América.
Sempre que Frank Castle aparece, é previsto que teremos cenas fortes. Quando digo isso, não é apenas pelo gigantesco rastro de sangue que ele deixa por onde passa, mas também pelos diálogos, pegando pesado na bagagem psicológica dos personagens, com seus traumas e frustrações.
Em Justiceiro – Bem-vindo de Volta, Frank (Parte 1 e 2) a questão psicológica fica bem evidente. Como o título já adianta, Frank está de volta a Nova York, para desespero dos criminosos, uma vez que o retorno do Justiceiro às ruas é guerra declarada. Castle quer acabar com o “reinado” da família Gnucci, a qual comanda o tráfico de drogas e compra o silêncio da polícia nova-iorquina.
O quadrinho já começa com matança mesmo: tiros, pescoço quebrado, explosões, corpos sendo feitos de escudos… O roteiro de Garth Ennis não decepciona em absolutamente nada! É impressionante a imersão psicológica dos personagens, principalmente, daqueles que são ou se sentem excluídos da sociedade. São pessoas que, em todos os momentos de suas vidas, lutaram para estarem inseridos de alguma forma na sociedade. Eles não querem a ascensão, querem apenas que as pessoas os vejam, pois são invisíveis em meio a todo preconceito, violência, medo, injustiça e corrupção. São as vitimas da sociedade. Garth, na minha opinião, investiu pesado nessas situações e… BINGO!
Ainda falando do psicológico, esse instinto presente em Frank, de fazer justiça com as próprias mãos, começa a se espalhar pela cidade, impulsionando três “CIDADÃOS DE BEM” a iniciarem uma matança em nome de Deus, do povo e da elite. Olha… É de ficar chocado com a frieza de ambos, mas de alguma forma, eles ainda me tiraram uns risos, mesmo que eu me sentisse mal depois. São cenas chocantes!
Quanto aos desenhos, bem, eu confesso que não fui muito fã. Mesmo compondo (e muito) a história, auxiliando no aspecto psicológico, eu achei, inicialmente, as imagens meio… Estranhas (me julguem). Sei que estou falando de Steve Dillon, o cara que desenhou Preacher (um dos meus sonhos de consumo). Os traços grossos e brutos me incomodaram um pouco, mas depois fui me acostumando e até entendendo que combina com o enredo. A coloração de Chris Sotomayer deram um brilho na ambientação sombria da história.
Se você quer ver muito sangue (é maior de 18 anos) e muita ação, Justiceiro – Bem-vindo de Volta, Frank (Parte 1 e 2) é a HQ certa pra te dar aquela emoção durante a leitura, com cenas de arrepiar os cabelos do– da cabeça. Frank is back!


“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…