Gnomeu e Julieta lembra, é óbvio, Romeu e Julieta. É difícil alguém não conhecer a trágica história de amor deste casal, mesmo que a esta não seja contada nos mínimos detalhes. Há quem pronuncie os nomes para se referir àquela comida que mistura sabores opostos (goiabada e queijo), que super combinam rs. Mas Gnomeu e Julieta, como o próprio nome do plebeu adianta, é uma adaptação shakespeariana de gnomos ou, como a gente costuma a chamar, anões de jardim.
A animação é de 2011 e esta foi a prova (pelo menos para mim) de que, se você não se interessa por um filme na época em que ele é lançado por algum motivo, é bem capaz de você sentir vontade de assisti-lo mais tarde. Ok, que tem a questão de que a cabeça muda e tal, mas eu tenho absoluta certeza de que esse era um dos filmes que eu pesava que jamais me interessaria a assistir, a não ser que eu fosse “obrigada” a isso, quando tivesse um filho, por exemplo. Mas, aqui estou: assisti, porque (pasme) deu vontade e vou dizer, logo após a sinopse, o que achei da animação.
Gnomeu e Julieta são anões de jardim cujas famílias são vizinhas e rivais. Um dia eles se apaixonam, para desgosto dos familiares. Para ficarem juntos, eles precisam enfrentar diversos obstáculos.
Além de achar, na época, que a animação deveria ser chata, eu também não gostava do nome… Agora, além de achar o título Gnomeu e Julieta maravilhoso, eu também AMEI a animação! Eu não esperava gostar tanto, a ponto de assistir a sequência, da qual falarei num outro texto. O roteiro é interessante, divertido, com referências, por exemplo a Toy Story.
A trama gira em torno de duas casas, com quintais bem cuidados por seus donos, cujo os sobrenomes são Montéquio e Capuleto, que faz referência às famílias presentes no clássico de William Shakespeare. Nesses quintais existem anões de jardim para decorá-los e que os diferem são as cores azul e vermelho. Além disso, há uma rivalidade, não apenas entre os vizinhos humanos, mas também entre os próprios gnomos, que só demonstram ter “vida” quando os donos saem de casa ou não estão às vistas dos mesmos. Nessa disputa, que vai do jardim mais bem cuidado a vários rachas de cortador de grama, dois jovens anões de jardim, Gnomeu e Julieta, acabam se apaixonando.
Todos os personagens são muito bem construídos e distintos. Dificilmente você vê um gnomo com as mesmas características do outro, seja no estilo ou na personalidade. Os que são iguais propositalmente, ao meu ver, são aqueles que são nítidos que foram comprados em forma de conjuntinhos e, como são menores do que os demais, agem sempre em conjunto. Além dos gnomos, há rá, coelhinhos, um “cogumelo-cachorro”…
E outra coisa interessante é que a característica de bibelô, de objeto decorativo, não foi dispensada em Gnomeu e Julieta. Quando entram em contato com outra superfície ou mesmo quando estão em movimento, eles produzem o ruído do material com o qual são construídos, acredito eu que seja gesso. E não há trocas de roupas, no máximo uma lustrada ou uma retocada na pintura, feita por eles mesmos, quando querem arrasar rs! Isso, inclusive, também é algo que faz parte do humor presente na obra.
Por falar em retocar a pintura, eu adorei essa ideia de manter a estética da pintura comum de anões de jardim, seja na mão de tinta mais fraca ou uma coloração fora do lugar, ou ainda, as lascas nos objetos que vão criando com o tempo ou pelos tombos que eles vão levando. Isso deu todo um diferencial nessa arte que, mesmo em 3D, não decepcionou nem um pouco usando os dois recursos.
Vale salientar aqui que a trama é embalada pelas músicas de Elton John que, além de ter músicas próprias da carreira do mesmo, tem músicas feitas para o filme interpretadas pelo cantor. Tudo muito bem casado, principalmente com um gnomo em especial, que me arrancou muitas risadas ao manter o bronzeado em dia. Gnomeu e Julieta é aquela animação que me arrependo de ter desdenhado e de não ter assistido antes, pois é divertidíssima!

“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…