Assistimos: A Forma da Água

Ontem aconteceu a festa do cinema! E cá estamos nós para falar vencedor do Oscar de melhor filme! O longa que teve treze indicações, também levou para casa as estatuetas de melhor diretor, melhor direção de arte e melhor trilha sonora. Mas e então? Ele é isso tudo mesmo? Nós do Torrada que somos críticos renomados e sabemos muito mais que a academia, assistimos e cá estou eu para dizer se foi merecedor ou não. Segura essa ironia e “bora”!

Vamos à sinopse para entender o que se passa: “Em meio aos grandes conflitos políticos e bélicos e as grandes transformações sociais ocorridas nos Estados Unidos, Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, conhece e se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa no local. Para elaborar um arriscado plano de fuga ela recorre a um vizinho (Richard Jenkins) e à colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer)“.

Em A Forma da Água, Guillermo del Toro trabalha com o que ele sabe fazer de melhor: Filmes de monstros! Entretanto, desta vez de uma perspectiva diferente. Temos um conto de fadas, estilo A Bela e a Fera/Shrek, porém em uma versão adulta, onde a princesa não é inocente e a criatura é vista como bela desde o início. A narrativa que passa longe da pureza das fábulas, não se contém ao trazer sexo e violência.

Mas ainda assim as lições de moral estão ali, como se o mundo adulto ainda precisasse aprender por analogias (concordo, por vezes precisamos). Os personagens são detalhadamente construídos e representam algo em comum: O não ter voz. E isso vai além da obviedade do casal protagonista, porque o longa traz o silêncio dos negros, dos homossexuais, do ambiente de trabalho e até mesmo a figura opressora sendo silenciada.

Apesar de acertar em cheio na sua proposta, achei que o longa peca um tanto no ritmo da narrativa. Tive o sentimento que o meio do filme foi demasiado longo, causou aquela aflição que nos faz pensar “bora lá, acaba logo“. Agora que eu estou escrevendo aqui, entendo que tal “enrolação” foi necessária para a construção dos personagens e para o “levante das suas vozes”, mas confesso que na hora achei fatigante.

Contudo, na minha irrelevante opinião, o melhor do filme são os aspectos técnicos: A belíssima fotografia somada às cores dos figurinos e cenários, a trilha sonora que remete a nostalgia do cinema clássico, etc. É uma grande homenagem feita ao cinema! Que parece nos dizer que a arte é a válvula de escape no ambiente da guerra, seja interior ou exterior.

Mesclando entre o lúdico e o violento (ou infantil e o adulto), A Forma da Água tem uma narrativa que pode cansar o espectador que busca algo mais objetivo. Seu grande trunfo é sem dúvidas a sua construção técnica, mas ainda assim traz algumas mensagens interessantes de como as adversidades pode nos levar ao amor ou ao ódio, e aquela máxima conhecida: Nem sempre o monstro é quem parece.