Um dos autores dos quais nós mais temos acompanhado o trabalho é o Felipe Castilho e fazemos isso sem medo de ser feliz. Finalista do Prêmio Jabuti de 2020, com um dos meus livros preferidos da vida, o Serpentário, Castilho que, além de autor de livros, é roteirista de quadrinhos, tem um projeto de assinatura mensal no Catarse, plataforma de financiamento coletivo. Segundo ele mesmo descreve o projeto, nós o ajudamos a viver de histórias e ele nos enche delas todos os meses. Uma das publicações deste ano, foi Ego Ex Machina, cuja parceria é com o ilustrador Fred Rubim, quadrinho do qual falarei das minhas impressões. Então, bora?!
Mas antes, vamos à sinopse:
Uma história sobre o mundo que queremos salvar e o mundo que podemos salvar. Baseado no relato de artistas que buscam forças para trabalhar durante a quarentena.
Ego Ex Machina começa com três personagens, dos quais apenas o nome de um deles é citado, que é Maedhur. Pertencentes à Guilda do Fim do Mundo, ele e seus dois companheiros trilham um caminho, temendo que seus inimigos, chamados de Tropa da Praga, possam alcançá-los. Além disso, Maedhur transparece incredulidade na sobrevivência deles, após a aparente perda de um dos companheiros de missão. A sequência é pausada, quando o artista que os desenha não consegue dar prosseguimento ao destino da Guilda, uma vez que no mundo real o caos também está instaurado, devido a uma temida praga que se assemelha à vivida pela Guilda, só que num contexto, infelizmente, bem conhecido por nós…
A partir daí, mostra-se a perfeição da parceria Castilho e Rubim, quando este último agrega toda genialidade ilustrativa ao roteiro, com componentes inseridos ao contexto vivido pelo personagem, sem a necessidade de diálogos, pois os desenhos dialogam entre si e com o próprio leitor, que somos nós também vivenciando tudo aquilo. É possível encontrar figuras “ilustres” de momentos políticos, devastações, catástrofes internas e externas, tudo sendo contemplado pelo ilustrador do alto da janela de seu apartamento e que também foi contemplado por nós, através de nossas TVs e smartphones.
Composta por onze páginas, ou seja, uma leitura bem rápida, Ego Ex Machina foi criada a partir de relatos de artistas sobre onde eles buscam força e inspiração para dar continuidade ao trabalho criativo, durante este momento difícil em que somos afetados pela quarentena. A cada quadro, é impossível nós não nos identificarmos com a rotina do ilustrador e do que ele vê. O que ele assiste da janela são referências bem explícitas da nossa rotina atual e as reações do ilustrador, sem diálogos, são exatamente o que sinto nesse final de ano, de que não há mais nada a falar, pois as imagens falam por si.
Ego Ex Machina é um dos trabalhos excelentes que Felipe Castilho tem lançado de forma recorrente, no Catarse, em parceria com excelentes ilustradores, como Fred Rubim. São pequenas histórias em quadrinhos que têm grandes roteiros e ilustrações que dialogam entre si e também com a vida real, de uma forma impactante, criativa e prazerosa de ler. Voltarei aqui para falar sobre outros quadrinhos desse financiamento, o qual recomento muito a assinatura.
Saiba mais sobre esse financiamento coletivo recorrente em: catarse.me/felipecastilho

“Eu sou Groot” e professora. Adoro assistir filmes e séries; ler livros e HQs e “eu QUERIA fazer isso o dia todo”. Espero ter “vida longa e próspera”…